Belo
Horizonte,
1981:
Guerrilha Poética
A
capital mineira fervilhava de Poesia, e um grupo de malucos tomava de
assalto bares, aglomerações e eventos culturais para declamar versos,
em alto e bom som, como devem ser declamados. Em março de 1982, o
grupo, do qual fazia parte o escriba que vos fala, inventou de comemorar
o aniversário do imortal Castro Alves com performances radicais - que
ficaram conhecidas como Guerrilhas Poéticas.
Participaram,
entre outros, Sérgio Fantini, Marcus Lessa, Cleise Soares, Wanderley
Batista, Orlando de Souza. A concentração ocorreu na casa do
Wanderley, num quartinho onde fizemos o texto montagem numa velha
Olivetti. Depois, a invasão dos bares na noite de sábado de BH, para,
encapuzados, falar poesia. Na manhã seguinte, viria a Passeata
Poética, pelas ruas da capital mineira, de megafone em punho. Vida de
poeta não é fácil.
Varginha,
1981
Festival de Poesia Falada
O
interior de Minas Gerais sempre foi pródigo em eventos culturais,
especialmente literários e musicais, apesar do aparente isolamento. A
cidade de Varginha, no sul do Estado, realizou durante muitos anos um
Festival de Poesia que se tornou tradição e atraiu caravanas de poetas
de Belo Horizonte, além de outros Estados. Autores como Antonio
Barreto, Henry Correa de Araújo, Paschoal Motta, Geraldo Reis, Guido
Heleno, entre muitos outros, marcavam presença no Festival, palco de
disputas acirradas. Participei de algumas edições. Na foto (1981), declamo o
poema Porto sem Nome, sob o olhar de um júri compenetrado.
Classifiquei-me em quinto lugar. E em 1986, finalmente realizei o sonho
de vencer o Festival de Varginha, com o poema Um Retrato. Os dois
estão publicados em meu livro O Delírio dos Búzios, lançado em 1999
e hoje esgotadíssimo. Em tempo: a foto é do poeta Marcus Mendra, outra
figurinha muito presente no evento.
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