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Leitura de poemas


De volta ao berço

No dia 20 de maio de 2006,
lancei o Arqueolhar em Passos (MG),
minha terra. A cidade é personagem
e cenário do livro. O texto abaixo
é uma reflexão sobre Poesia e Jornalismo,
e serviu de guia para o meu bate-papo
com o público. O lançamento
foi realizado na Casa da Cultura,
com o apoio
da Secretaria Municipal de Cultura.

Por intermédio da poesia entro em contato comigo mesmo, por intermédio do jornalismo entro em contato com o mundo. Para compreender o mundo, eu preciso da poesia. O jornalismo é a informação, a poesia é a linguagem, o signo, a interpretação.

“Arqueolhar” é uma revisita à infância, feito por um homem à beira dos 50 anos. Uma viagem interior e exterior. Uma leitura pessoal e única de memórias, sensações, impressões, filtradas por longa vivência; um encontro inusitado, mas perfeitamente possível, de um homem e um menino que são apenas um. Essa dupla de “outros” trava um diálogo em forma de versos, utilizando um código comum a ambos.

“Arqueolhar” é feito de matéria-prima de grande riqueza, que só poderia ser tratada com poesia. A poesia não requer números, dados precisos, rigidez histórica. Requer observação, emoção, para uma leitura pessoal, individual, particular, e cada um faz a sua: o autor, o leitor. A poesia é, portanto, linguagem mutante e indomável, rebelde e libertária.

Esse caráter a eleva à condição de entidade acima da mesquinhez das relações comerciais e a torna imune aos grilhões do mercantilismo, que transforma a criação humana em objeto de valor. A poesia fala à emoção e à alma, e sua linguagem não se submete a flutuações do mercado de consumo.

A linguagem jornalística atende a rígidas técnicas voltadas para grandes públicos, sua compreensão, seus interesses, seu entretenimento. Esse é o critério das pautas, dos temas, dos personagens abordados. Antes de levar ao leitor informação e reflexão para seu engrandecimento pessoal e humanista, o que o tornaria irmão da literatura, o jornalismo é regido pela ideologia do marketing, adotando a linguagem do entretenimento, num contexto social em que o individualismo supera o coletivo e em que o acúmulo de bens supera em importância o conhecimento e a tentativa de compreender e criticar o mundo.

Em vez de propor a reflexão, o jornalismo quer falar à massa de leitores. Isso ocorre num contexto social em que celebridades vazias tornam-se exemplos de sucesso a partir de critérios pitorescos ou fúteis, enquanto pessoas de vasto conhecimento falam apenas a um universo restrito de interlocutores.

Essa realidade não foi inventada pelo jornalismo. É fruto da economia de mercado, com a qual a mídia sabe dialogar muito bem, em que estudiosos decretaram o fim da História como se o mundo tivesse alcançado a perfeição que a humanidade almejou. O jornalismo e a mídia foram o terreno fértil onde essa ideologia se desenvolveu e floresceu sem questionamentos. Neste mundo falsamente igualitário, os miseráveis e os artistas são as ovelhas negras. Os miseráveis porque o contradizem. Os artistas porque perguntam.


O autor, com Graça, Sandra, Gilda, Arlete e Clélia
Carlos Parreira, Antonio Rogério e Rita, Emílio Piantino, Marco Túlio, Iran e Alexandre. Com o escritor Marco Túlio Costa, agitador cultural em Passos
Alexandre Marino e o secretário de Cultura, Nivaldo Barbosa Aço, o palhaço da capa do livro

Contatos:

sitio[at]marino.jor.br

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